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6/11/2006
Ambulatório Móvel Oftalmológico leva dignidade a pessoas com baixa renda

Em 2001 o médico recomendou a Alfonsina Alves de Lima, 69 anos, o uso de óculos. O tempo de trabalho em casas de família, como diarista, rendeu um salário-mínimo por mês à aposentada. Como o dinheiro dá somente para pagar as despesas fixas da casa, a receita do oftalmologista foi parar no fundo do baú, junto com as agulhas do bordado, paixão que ela não abandonou porque o neto a auxiliava no momento de colocar a linha na agulha.

Desde setembro o talento que Alfonsina exibe com naturalidade no tecido independe da contribuição do neto. Agora ela mostra orgulhosa o novo óculos que recebeu da FUNPAR (Fundação da Universidade Federal do Paraná). "Gosto de bordar, faço trabalhos por encomenda, tem mês que chego a ganhar 100 reais", conta. O óculos foi doado pelo programa de responsabilidade social que a Fundação criou em parceria com o Centro da Visão do Hospital de Clínicas, o AMO (Ambulatório Móvel Oftalmológico).

Como Alfonsina, outras 4.698 pessoas já foram assistidas pelo AMO. O programa surgiu em 2004 com o objetivo de oferecer serviços oftalmológicos às localidades paranaenses nas quais o acesso a este serviço é incipiente. Para levar a estrutura de uma clínica oftalmológica, um veículo foi adaptado com mobiliário adequado para os equipamentos utilizados no atendimento aos pacientes.

Os médicos que trabalham no ambulatório são voluntários. Cerca de 15 pessoas são mobilizadas para realizar o atendimento, entre residentes em oftalmologia, técnicos em ótica e funcionários da FUNPAR, sob a coordenação dos professores e médicos da UFPR (Universidade Federal do Paraná), vinculados ao Centro da Visão.

Eroni Gottardelo Ito trabalha na Fundação e integra a equipe da AMO desde o primeiro atendimento. Como gestora administrativa do projeto ela pôde acompanhar de perto os pacientes do ambulatório. "É comum ouvir das pessoas que nunca foram tão bem tratadas, mesmo em uma van, o serviço oferece conforto e higiene", garante. Ela explica que o programa é voltado a pessoas de baixa renda e idosos. "Não vencemos as solicitações de visita", conta. A lista de pedidos é grande, mas como os médicos trabalham de forma voluntária nem sempre é possível compatibilizar as agendas. "Não gostamos de ver o carro da AMO parado no estacionamento da FUNPAR, mas precisamos de apoio financeiro para contratar médicos e aumentar os atendimentos", alerta a diretora de projetos da FUNPAR, Lúcia Regina Montanhini.

Este trabalho social existe porque os governos federal, estadual e municipal reconhecem a FUNPAR como órgão de utilidade pública. A Fundação também possui o registro de entidade beneficente no Conselho Nacional de Assistência Social. Com esses certificados a instituição consegue manter em funcionamento muitos projetos sociais, pois aplica os recursos diretamente na sustentação e desenvolvimento dos programas.

INCLUSÃO

cada visita da AMO, aproximadamente, 90 pacientes são atendidos. Os casos de maior complexidade são encaminhados ao Centro da Visão do Hospital de Clínicas, pelo SUS. Em situações de menos urgência, uma data única é agendada pela secretaria de saúde local para o atendimento de todos os moradores da comunidade, também por meio do SUS. Quem teve receitado o uso do óculos pode escolher, depois da consulta, a armação que deseja, entre vários modelos disponíveis. A técnica em ótica, integrante da equipe do AMO, adapta a armação ao rosto do paciente e encaminha ao laboratório, que devolve o óculos depois de um mês. "Com a possibilidade de escolher o modelo de armação que mais lhe agrada, o paciente sente-se respeitado", afirma Eroni. "Já fizemos quase três mil doações", recorda.

Quando são atendidos pela AMO, ou depois de receber os óculos, alguns deles expontaneamente escrevem no chamado "Livro de Ouro", um caderno de capa preta que contém os testemunhos dos beneficiados pelo programa. "A vinda da equipe foi boa, antes não conseguia costurar e fazer os serviços de casa; agora com o óculos novo posso fazer tudo", registrou no caderno Jesus do Carmo Machado, que mora em Cerro Azul, interior do Paraná.

Aos 77 anos, Clemente Alves da Silva foi atendido por um médico oftalmologista pela primeira vez no ambulatório móvel. Pedreiro aposentado, ele divide as despesas da casa com o filho de 28 anos. Com a idade, Clemente começou a ter problemas de visão. "Meus olhos sempre foram bons, mas a vista está ficando cansada, o que me dá muito desconforto", lamenta-se. Quando questionado se poderia comprar a armação e as lentes do óculos, é incisivo: "me aposentei por idade para não morrer de fome, o que recebo do INSS gasto em minha casa e nos remédios, nunca sobraria para comprar um óculos como este que ganhei da FUNPAR".

Fonte: Fundação da Universidade Federal do Paraná



           


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