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11/6/2008
O seu diagnóstico está correto?

Pesquisa revela que os erros são mais freqüentes do que imaginam os próprios médicos

Com que regularidade e por que ocorrem erros durante o diagnóstico? Uma coletânea de artigos voltada a examinar esse dilema da medicina, publicada na última edição da conceituada revista científica American Journal of Medicine, dá as primeiras respostas mais conclusivas sobre o tema. A pesquisa revelou que as taxas de erro são bem maiores do que supõem os próprios médicos. Elas chegam até 5% em áreas como a patologia clínica e a dermatologia e ficam entre 10% e 15% nos demais campos da medicina. São valores elevados e que fazem pensar no que pode estar por baixo dessa larga faixa de equívocos na identificação dos males dos pacientes. Segundo os médicos que se debruçaram sobre o assunto, a razão mais comum é o excesso de autoconfiança dos especialistas na própria capacidade. Além disso, muitos acham inconcebível que as suas taxas de erro sejam tão altas quanto mostrou a literatura especializada e pensam que os erros são feitos por outros, menos hábeis e cuidadosos. Nunca por eles.

O comerciante baiano Rosalvo Rodrigues, 68 anos, sabe bem o que significa ser tratado por um médico que não admite a possibilidade de erro, mesmo que o paciente não melhore. Com fortes dores nas costas, foi examinado por um clínico geral. O médico diagnosticou como causa um quadro de angina, mal caracterizado por dor no peito provocada por um estreitamento das artérias do coração. Surpreso, Rosalvo comprou o remédio receitado e começou a tomá-lo. Dois dias depois, foi hospitalizado às pressas com dores de cabeça, taquicardia e tontura. Novos exames feitos por um cardiologista mostraram um coração em ótimo estado e alterações nos ossos da coluna chamadas de bico-depapagaio, que, dependendo da localização, podem produzir dor. Com relaxante muscular e antiinflamatórios, Rosalvo sarou das dores, mas ficou a mágoa do médico que deu o diagnóstico errado. “Por causa da falta de critério do médico para me diagnosticar, tive palpitação e quase acabo com um problema cardíaco de verdade”, diz.

É claro que há outros motivos para diagnósticos incorretos. “Na hora de analisar os dados de um exame, muitos profissionais se baseiam na comparação dos resultados com os valores de referência que aparecem na folha de resultados. As coisas não podem ser feitas assim”, critica o clínico geral Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Na opinião do especialista, 70% dos diagnósticos são feitos durante a conversa e o exame clínico. Só o resto da investigação deve ficar por conta dos exames laboratoriais e de imagem. Quando essa proporção se inverte, a chance de erro dispara. Lopes cita o caso de uma paciente de 19 anos que chegou ao seu consultório levada pelo pai às vésperas de um procedimento para trocar o plasma sangüíneo por causa do diagnóstico de esclerose múltipla. O médico conversou longamente com ela e viu que os sintomas não combinavam com o veredicto. Com o aval da família, pediu novos exames e descobriu que a dificuldade de movimentos e as dores eram causadas pelo deslocamento de uma vértebra e pinçamento de nervos. “A medicina é mais do que um exame de imagem ou números no papel. Os dados devem ser olhados à luz da hipótese do médico”, diz. Outro problema é que pode haver erro nos exames. Se mostram algo muito diferente do possível diagnóstico, é comum pedir novos exames e a opinião de colegas.

As falhas no raciocínio diagnóstico e a falta de acompanhamento do paciente durante o tratamento também contribuem para os erros. A publicitária B. (nome preservado a pedido da entrevistada) enfrentou esses descaminhos. Em dezembro de 2005, foi a um hospital com tosse e febre. Após fazer uma radiografia do pulmão, foi informada de que podia estar com uma pneumonia atípica ou tuberculose. Recebeu antibióticos e foi orientada a ir a um pneumologista se os sintomas não cedessem. “A tosse e a febre foram embora, mas começaram dores no tornozelo e nas articulações”, conta. Com novo diagnóstico de tendinite feito em outro pronto-socorro, apesar do histórico, ela tomou antiinflamatório e acabou engessada. Uma semana depois os joelhos e as pernas incharam. Foi quando o ortopedista mandou- a ao reumatologista, que pediu a ela para consultar um hematologista e um pneumologista. No final de abril, chegou com febre, tosse e muito cansada ao consultório de uma pneumologista que finalmente diagnosticou o avanço da mesma tuberculose que começara a ser tratada em dezembro.


“A medicina é mais do que um exame de imagem ou números no papel” ônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Para reduzir a ocorrência de casos como esses, parte do trabalho americano foi dedicado à sugestão de novas práticas. Uma delas é o estímulo aos especialistas para usar sistemas de apoio ao diagnóstico, como programas de computador que ajudam a ampliar as hipóteses para compreensão dos sintomas. Outra linha de intervenção, que cresce nos Estados Unidos, é o aumento do poder dos pacientes no relacionamento com o médico. O médico Mark Graber, da Universidade Estadual de Nova York, participante do estudo e responsável pela coordenação de uma conferência sobre erros diagnósticos, acha que atribuir novos papéis aos pacientes pode ajudar a controlar os riscos e fazer baixar as taxas de erro. A proposta é que os doutores tenham de comunicar aos pacientes mais sobre a hipótese diagnóstica que estão considerando, e não apenas quais exames e medicações devem ser feitos e tomados. “Compartilhar as informações pode auxiliar os pacientes a serem mais ativos na verificação de um erro”, diz o mineiro Geraldo Guedes, do Conselho Federal de Medicina. Além disso, é necessário valer-se mais da segunda opinião. “Os pacientes precisam ficar seguros e confiantes. Para isso, têm o direito – que deveriam usufruir mais – de questionar seu médico e consultar outro para tirar dúvidas”, diz Guedes.




Fonte: Revista Isto E



           


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