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17/5/2008
Manoel dos Anjos

b>Ele desistiu de um emprego sólido e resolveu arriscar-se em outros ambientes, descobrindo talento para lidar com o público e com as artes plásticas.


Manuel dos Anjos, ao lado do apresentador Dudu Braga, na inauguração do Museu do Diálogo de Campinas

Artesão, professor, aluno de inglês e guia de museu. Essas são algumas das tarefas exercidas pelo carioca Manuel dos Anjos, 46 anos. Na semana passada, ele esteve em Campinas (SP) para treinar os guias cegos que vão trabalhar no recém inaugurado Museu do Diálogo, local onde é desenvolvido o projeto Diálogos no Escuro. Nesse projeto, Manuel, que ficou cego ao sofrer um acidente de automóvel, há 21 anos, orienta os visitantes em ambientes escuros. Seu bom papo e simpatia ajudam a ganhar confiança das pessoas, que perdem o medo de andar em total escuridão e passam a sentir a sensação de estarem em uma floresta ou em um barco, como se fossem cegas.

O talento para lidar com público floresceu quando Manuel tomou uma importante decisão: pedir demissão do emprego de coordenador de operações da empresa Rio Park. "Estava há 15 anos na empresa e adorava meu trabalho, mas sentia falta de circular em outros ambientes e ter contato com outras pessoas," afirma. "Foi uma decisão difícil, pois tenho grande admiração pela empresa, que sempre valorizou me trabalho."

Manuel abriu uma pequena lanchonete, mas o negócio não deu certo e ele faliu em 2 anos. Resolveu então se dedicar a sua casa e aos filhos Suelen, 22 anos, e Manuel Jr, 11 anos, mas ainda sentia falta de novas experiências. Até que conheceu um professor do Instituto Benjamin Constant, instituição que é referência no trabalho com cegos, no Rio de Janeiro, e passou a freqüentar o local. Aprendeu o braile e descobriu o talento para o artesanato.

Em 2005, surgiu a primeira oportunidade de trabalhar com exposições, no Centro de Exposições Rio Centro, quando trabalhou com a artista plástica Cristina Portela. Sua atuação chamou atenção e ele foi convidado para fazer parte da equipe de guias do Museu do Diálogo, que teve exposições itinerantes no Rio e em Brasília (DF).

Hoje, ele prepara a equipe que trabalhará em Campinas, no primeiro Museu do Diálogo permanente do país e aguarda oportunidades de treinar equipes em outras cidades que venham receber o museu.

De volta ao Rio, ele continuará o trabalho como professor de artesanato em uma casa de repouso para senhoras com deficiência e continuará também alimentar seu sonho de abrir um ateliê escola, um local onde possa trabalhar, ensinar e vender suas peças de artesanato.

Manuel tem ainda outro sonho. Ele espera que o projeto Diálogos no Escuro ganhe novos espaços pelo Brasil. Para isso, faz questão de deixar seu contato (21) 2575-6139 e (21) 8154-1878


Fonte: Claudia Gisele - Revista Sentidos



           


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