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20/1/2007
Equipamentos oftalmológicos: Planejamento estratégico

Considerada uma das áreas médicas mais tecnológicas, a oftalmologia dispõe de equipamentos de última geração que auxiliam os especialistas em seu trabalho e melhoram significativamente a qualidade de vida dos pacientes. É válido lembrar, entretanto, que o cuidado com a aparelhagem não se restringe à sua aquisição. Manter a aparelhagem em perfeito estado e contar com funcionários capacitados a manuseá-la também usa parte do orçamento mensal do consultório – informação que é muitas vezes esquecida pelos oftalmologistas que se dispõem a comprar um equipamento.

Segundo Paulo Schor, professor afiliado livre docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), muitos oftalmologistas não têm consciência do tamanho dos custos de manutenção de equipamentos. “Os médicos normalmente não se envolvem com tecnologia como deveriam, por isso a maioria não considera o custo da manutenção durante a compra. Trabalhar em cima de estimativas é sempre complicado”, explica.

O primeiro passo nesse sentido, de acordo com Wagner Koji Aragaki, oftalmologista do setor de doenças externas e córnea do departamento de oftalmologia da Unifesp, é ter em mente que o aparelho vai, eventualmente, apresentar problemas e exigir manutenção ou reparo – e os valores incluídos nesse processo devem estar bem claros. “Nem sempre os custos totais de manutenção, que devem incluir medidas preventivas, corretivas e o valor das peças de reposição, ficam esclarecidos como deveriam”, diz.

A boa notícia é que a comunidade oftalmológica está começando a aprender como lidar com a questão – prova de que mais profissionais estão se preparando também para administração da clínica. “É importante que os oftalmologistas empreendedores conheçam o mecanismo de gerenciamento de tecnologia. Saber lidar com tecnologia e a administração de uma clínica só traz benefícios”, argumenta.

Planejamento minucioso

Manter os equipamentos em dia requer custos que vão da operação adequada da máquina por um funcionário treinado, passando por gastos com espaço e energia elétrica, chegando aos juros das parcelas de pagamento. Segundo Schor, nem todas as empresas da indústria óptica enfatizam o custo adicional da manutenção preventiva durante a venda, como a recalibragem dos equipamentos. “Existe um desgaste natural das peças, além de possíveis danos ou defeitos. O oftalmologista não deve esquecer que um equipamento parado também oferece gastos a clínica, deixando de atender pacientes e elevando o custo da manutenção, pois será necessário um especialista para colocar a máquina em ordem e para trocar peças, se necessário”, revela.

Antes de pensar na melhor maneira de usar e manter o aparelho, vale dar mais um passo para trás. Considerar o espaço em que ele vai ser utilizado pode poupar dores de cabeça no futuro. O aterramento e a rede elétrica, por exemplo, podem parecer distantes da rotina de uma clínica, mas se a instalação não for bem feita para agüentar a demanda de energia do equipamento, podem ocorrer choques ao usuário e danos ao aparelho. Segundo Santos, o aterramento deve ser suficiente para evitar picos de eletricidade, e conseqüentemente, evitar panes ou curtos-circuitos. “Já vi equipamentos não funcionarem pelo simples fato de não haver aterramento suficiente. Sempre sugiro a utilização de filtros de linha e estabilizadores de tensão, que ajudam em casos de uma rede elétrica insuficiente. E nunca ligue muitos aparelhos na mesma tomada”, informa. O conselho é sempre procurar um profissional apto para analisar as instalações elétricas do local antes da instalação do aparelho.

Acordos contratuais
É importante que, durante os trâmites de compra, o plano de manutenção esteja claro em relação ao programa de revisões preventivas e manutenções corretivas. Devem estar inclusos os custos de mão-de-obra e peças de reposição, para que o oftalmologista obtenha o custo total de manutenção. “O contrato de manutenção firmado com o fornecedor ou o fabricante deve incluir todos os itens de manutenção e possíveis valores, que devem ser levados em consideração pelo oftalmologista durante a escolha e aquisição de um equipamento”, ressalta Koji.

Os acordos de manutenção variam dependendo do tipo de equipamento. Quando existe material de insumo, pode haver um contrato de comodato, em que se fornece o equipamento em troca do consumo de produtos da empresa, que garante a manutenção do equipamento. Nesses casos, o aparelho pertence ao fabricante e não ao usuário. Segundo Célio Bertanha, gerente de assistência técnica da Opto, as empresas que fabricam ou distribuem equipamentos oftalmológicos geralmente oferecem um ano de garantia ao produto, que pode incluir manutenção de peças e mão-de-obra. “Quando não há insumo a ser consumido, o equipamento é adquirido sem contrato de manutenção, mas que é proposto próximo à data do término da garantia”, afirma.

Manutenção sempre em dia

O diretor da Vistatek, José Roberto Alegre, divide em três os tipos de pacotes de manutenção oferecidos por sua empresa. “O mais econômico e mais comum é a cobertura do serviço de mão-de-obra sem peças, que inclui um funcionário para vistoria do equipamento, sem o custo das peças. A segunda opção é a cobertura da mão-de-obra com peças pré-definidas, já que em alguns equipamentos é previsto que tais peças vão apresentar problemas – essas são as que estão inclusas no plano. O pacote de cobertura total de mão-de-obra e peças é o menos usual, pois o valor mensal desta cobertura pode chegar a 1% do valor do aparelho, como o caso de um OCT, que custa 70 mil dólares. Geralmente quem opta por esse pacote são grandes hospitais e instituições públicas, que não podem correr o risco de ficar com uma máquina parada”, conta Alegre.

A manutenção preventiva tem o intuito de prever a quebra e evitar a troca de um componente com maior desgaste. Algumas empresas também oferecem a instalação, treinamento e até o acompanhamento dos primeiros exames e cirurgias. A Opto, por exemplo, disponibiliza, segundo a necessidade, um tecnólogo para acompanhar o responsável pelo manuseio do aparelho. Já a manutenção corretiva é realizada após o surgimento de algum problema, como a troca de alguma peça danificada.

E ao contrário do que se pensa, muitas vezes o próprio dono pode realizar a manutenção do aparelho. É a chamada manutenção interna. A calibração dos lasers, biômetros e paquímetros, realizada rotineiramente, por exemplo, nada mais é do que uma manutenção preventiva interna, pois é feita pelo próprio operador do equipamento. Já as manutenções externas são realizadas pelo fabricante ou fornecedor.

Bertanha, da Opto, afirma que um aparelho de laser pode chegar a até 450 mil dólares e o custo de manutenção varia de 20 a 25 mil dólares por ano, entre peças e mão-de-obra. “Por isso, é importante que o oftalmologista esteja a par de valores como esse, que representam um gasto de 5% do valor total do equipamento”, afirma. Ele acrescenta que a periodicidade da manutenção varia conforme o tipo do equipamento e a freqüência do uso. “No caso de um laser de cirurgia refrativa, que é bastante utilizado, as manutenções acontecem quatro vezes ao ano”, conta. Aparelhos de grande precisão exigem manutenção semanal ou quinzenal, como o Excimer Laser, que depende de inúmeras variáveis que devem ser checadas a todo instante. Mas de modo geral, as manutenções preventivas podem ser feitas a cada seis meses, salvo equipamentos mais modernos como lasers, que possuem um mecanismo interno que detecta a falha e avisa quando há necessidade de assistência técnica.


“Uma simples cadeira para o consultório não precisará de uma vistoria trimestral, por exemplo, diferente de um facoemulsificador, que necessita de acompanhamento de um técnico a cada três meses para ajustar sensores, bomba peristáltica ou venturi. Além disso, os equipamentos que utilizam algum software merecem atenção especial com relação a atualização”, especifica Alegre.

Todos os custos com funcionários e peças dependem do modo de utilização do equipamento – número de horas de utilização, maneira como ele é utilizado e desgaste das peças ao longo do tempo. As grandes empresas do mercado fornecem treinamento aos operadores dos equipamentos para a correta utilização, o que garante maior durabilidade e confiabilidade e menor número de quebras.

Assistência técnica

Recomendações de funcionários autônomos e de empresas idôneas diminuem os riscos de enfrentar problemas e de orçamentos com custos fora de mercado.

A utilização de peças usadas e recondicionadas ou usadas adaptadas de outros equipamentos não destinados ao uso médico pode comprometer o funcionamento e a vida útil do equipamento.

Ferramentas destinadas à aferição obedecem um critério técnico para calibragem padrão dentro de uma periodicidade determinada pelo fabricante. Não adianta realizar uma calibragem de um laser se o instrumento de calibragem não for aferido e checado.

O conhecimento do oftalmologista sobre o uso do equipamento é fundamental para o bom funcionamento do aparelho.

Fonte: Revista Univeso Visual



           


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